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Processamento de soja deve ser recorde em 2018

20 de Dezembro de 2017

Mesmo com uma redução de produção na safra 2017/2018, o processamento de soja deve crescer de 41,5 milhões de toneladas para 43 milhões de toneladas, valor recorde para o setor, informa a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). “É um aumento principalmente em decorrência do biodiesel, que vai ter uma expansão com o B10”, diz Fábio Trigueirinho, presidente em exercício da entidade. A partir de março, a mistura de biodiesel ao diesel passará de 8% para 10%.

Com a mudança, a entidade estima que a produção de biodiesel salte de 4,2 bilhões de litros em 2017 para 5,5 bilhões de litros em 2018. Isso representa um aumento de 3,5 milhões de toneladas no esmagamento de soja (de 15 milhões de toneladas em 2017 para 18,5 mi de t). Segundo o gerente de economia da Abiove, Daniel Amaral, a aprovação do RenovaBio deve estimular esses números ainda mais.

A Abiove ainda revisou as estimativas de produção para a safra 2017/2018. A projeção é de que o país colha 109,5 milhões de toneladas da oleaginosa. A estimativa anterior era de 108 mi de toneladas.

Exportações – As exportações de soja tiveram desempenho melhor do que no ano anterior. Em 2017, segundo a Abiove, 67,8 milhões de toneladas de soja grão foram exportadas ante 51,6 milhões de toneladas em 2016. Os embarques de farelo e óleo de soja também cresceram, mas em ritmo menor. O primeiro passou de 14,4 milhões de toneladas para 15 milhões de toneladas, e o segundo foi de 1,25 milhões de toneladas para 1,3 milhões de toneladas.

Para Trigueirinho, com a safra recorde de 2016/2017, o movimento natural foi o aumento das vendas externas. “Além disso, algumas dificuldades tributárias do Brasil estimulam essa saída do grão”. Ele cita como exemplo a necessidade de recolhimento do Funrural para vendas no mercado interno e também para processamento antes da exportação. Já para o produto que vai direto para o porto, a retenção não precisa ser feita.

A preferência chinesa pelo grão – para que seja processado no país – também influenciou. A nação asiática adota escalada tarifária, com alíquotas de importação maiores para o óleo e o farelo do que o grão.

PEC 37 – Sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) 37/2007, que retoma a cobrança de ICMS de produtos primários e semielaborados destinados à exportação – eliminada pela Lei Kandir – e foi aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, Trigueirinho diz que a entidade é contrária a essa tributação. “Vai tirar competitividade e pode ter efeito contrário ao desejado, diminuindo a produção e a geração de empregos e, com isso, a arrecadação de tributos indiretos”. Porém, segundo o executivo, a proposta não deve ser aprovada em Plenário, já que serão necessários ? dos votos a favor.

Mas a Abiove propõe mudanças na Lei Kandir. A proposta é que a transferência de matérias-primas entre Estados para processamento e, então, exportação, também não seja taxada – ou que tenha alíquota menor. “A indústria não consegue movimentar de um Estado para o outro para poder processar”.

Logística 2018 – Segundo o gerente de economia, para evitar situações como a do começo de 2017, em que a BR-163 ficou travada por dias durante o período de chuvas, por causa de atoleiros e fila de caminhões, os trechos mais críticos, de cerca de 100 km, devem ter operações “pare e siga” para controle do fluxo de caminhões. O Exército cuidaria da operação na parte em que está trabalhando na pavimentação – as obras serão suspensas nas chuvas – e a Polícia Federal ficaria responsável pelo restante do trecho. Além disso, a região também poderá ter patrulhas para retirar caminhões de atoleiros, por exemplo. “Esse corredor é estratégico para o país, precisamos dele”, afirma Amaral.

Classificação de grãos – A Abiove, junto com a Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) vão lançar, em fevereiro de 2018, uma cartilha de boas práticas de classificação de grãos. O manual vai esclarecer procedimentos já praticados pelas empresas das entidades envolvidas. “Será bem visual, com muito material fotográfico, para o produtor entender o processo”, conta Daniel Amaral.

Fonte: Portal DBO